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A Boneca de Kokoschka


 

Autor: Afonso Cruz

ISBN-13: 9789725649039
ISBN-10: 9725649036
Ano: 2010 / Páginas: 244
Idioma: português de Portugal 
Editora: Quetzal / Bertrand

O pintor Oskar Kokoschka estava tão apaixonado por Alma Mahler que, quando a relação acabou, mandou construir uma boneca, de tamanho real, com todos os pormenores da sua amada. A carta à fabricante de marionetas, que era acompanhada de vários desenhos com indicações para o seu fabrico, incluía quais as rugas da pele que ele achava imprescindíveis. Kokoschka, longe de esconder a sua paixão, passeava a boneca pela cidade e levava-a à ópera. Mas um dia, farto dela, partiu-lhe uma garrafa de vinho tinto na cabeça e a boneca foi para o lixo. Foi a partir daí que ela se tornou fundamental para o destino de várias pessoas que sobreviveram às quatro toneladas de bombas que caíram em Dresden durante a Segunda Guerra Mundial.

"São gaiolas por todo lado. E algumas estão dentro dos pássaros e não por fora como as pessoas imaginam. Porque Bonifaz Vogel, muitas vezes, abria as portas das gaiolas sem que os canários fugissem. Os pássaros ficavam encolhidos a um canto, tentando evitar olhar para aquela porta aberta, desviavam os olhos da liberdade, que é uma das portas mais assustadoras. Só se sentiam livres dentro da prisão. A gaiola estava dentro deles." 

"Porque a Terra Prometida não era lugar no espaço e Moisés queria que eles compreendessem que a Terra Prometida era um caminho, é uma terra que está onde está um homem que a deseja. Os hebreus a caminhar levavam a Terra dentro de si, eles é que eram a Terra, a andar ali às voltas pelo deserto. (...) aquela Terra só se pisa com a alma, não com os pés."

"(...) na verdade, julgo que as pedras que vemos por ai, não são os minérios que julgam os geologistas, mas sim restos de corações humanos, desses humanos que acordam de manhã para ir trabalhar e que não sabem amar com profissionalismo. É assim que nascem as pedras, de restos de corações."

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