Autora: Svetlana Aleksiévitch. Editora Companhia das Letras. 272 páginas.
Neste livro doloroso e potente, a Nobel de literatura Svetlana Aleksiévitch reuniu os relatos francos de vários sobreviventes da Segunda Guerra que, quando crianças, testemunharam horrores que nenhum ser humano jamais deveria experimentar. A Segunda Guerra Mundial matou quase 13 milhões de crianças e, em 1945, apenas na Bielorrússia, havia cerca de 27 mil delas em orfanatos, resultado da devastação tremenda causada pelo conflito no país. Entre 1978 e 2004, a jornalista Svetlana Aleksiévitch entrevistou uma centena desses sobreviventes e, a partir de seus testemunhos, criou uma narrativa estupenda e brutal de uma das maiores tragédias da história. A leitura dessas memórias não é nada além de devastadora. Diante da experiência dessas crianças se revela uma dimensão pavorosa do que é viver num tempo de terror constante, cercado de morte, fome, desamparo, frio e todo tipo de sofrimento. E o que resta da infância em uma realidade em que nada é poupado aos pequenos? Neste retrato pessoal e inédito sobre essas jovens testemunhas, a autora realizou uma obra-prima literária a partir das próprias vozes de seus protagonistas, que emprestaram suas palavras para construir uma história oral da Segunda Guerra.
"Se o ser humano conhecesse seu destino, não viveria até a manhã seguinte."
" A infância acaba quando: você para de acreditar em Papai Noel; você começa a dar voltas nas poças d'água; já não consegue pegar o controle remoto da TV e ligar para a mamãe. Vai ao banheiro de noite e não tem medo de que alguém te devore. Já não acredita que pode alcançar a lua com a mão... você puxa a colega da sala pelas trancinhas e ela não chora, e sim ri."
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