Autor: José Luis Peixoto. Editora: Companhia das Letras. 288 páginas.
O escritor português José Luís Peixoto recria neste romance o sabor das grandes narrativas de formação. A vida de Ilídio, o protagonista, é o relato de uma perseguição que começa no dia traumático em que a mãe o abandonou na infância, avançando através de seu amor pela delicada Adelaide.
Determinada a afastar os jovens amantes, a tia de Adelaide a obriga a emigrar para Paris, seguindo o caminho que fizeram mais de um milhão de portugueses entre os anos 1960 e 1970. De Ilídio, Adelaide carrega só um livro, que recebeu de presente - o mesmo livro que a mãe lhe entregou quando era menino, dizendo que voltava logo.
Na França, a existência de Adelaide é um esforço contínuo para preencher vazios. Mais por infelicidade do que por felicidade, casa-se. Também um livro a conduz a esse marido que parece mais apaixonado pela política do que pela mulher.
O sonho de um reencontro é tortuoso. Mas Ilídio resolve viajar para a França em busca da amada, deixando para trás o pedreiro Josué, o homem que o criou. Cartas que não chegam aos destinatários, buscas que não se completam e amores difíceis trançam este delicado romance, no qual a dor se afirma como primeira condição do existir.
"O tampo da mesa estava todo gasto por toda a história do mundo. Não havia uma palavra simples que o descrevesse. A hora chegou como um prego enferrujado, a espetar-se entre as costelas."
"Até as estações se tinham começado a misturar: invernera, primaverão, verono, outerno."
"Deve haver um céu de sombras transparentes para essas crianças inventadas que chegaram a ter nome."
"Sempre gostei de enredos circulares. É a forma que os escritores, pessoas do tamanho das outras, têm para sugerir eternidade."

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