Leonardo Padura é romancista, ensaísta e jornalista.
Considerado um dos melhores autores de Cuba, escreveu roteiros para o cinema e
atuou por 15 anos na área do jornalismo investigativo. Pós-graduado em
Literatura Hispano-americana pela Universidade de Havana, se dedica exclusivamente
à literatura desde 1995. Agraciado pelo governo espanhol com a dupla
nacionalidade, prefere continuar vivendo na ilha onde nasceu.
Ganhou reconhecimento internacional com a série de romances
policiais “Estações Havana”.
Em A Transparência do Tempo, Padura nos brinda com uma
história de mistério. Uma escultura de Nossa Senhora de Regla é furtada e seu
dono, Bobby, antigo amigo de Mario Conde, solicita sua ajuda para encontrá-la.
A partir daí, a história se desenrola levando o leitor a percorrer as ruas de
Havana, onde se passa a maior parte da narrativa, em companhia de Conde e seus
amigos.
Mario Conde, o protagonista do romance, é um ex-policial
cético (detetive particular quando necessário), em vias de completar sessenta
anos. Em suas reflexões, deixa-nos saber de suas angústias, arrependimentos,
perdas e ganhos. Compartilha conosco seus medos ao aproximar-se do que ele
chama a quarta idade. Vive, primordialmente, da compra e venda de livros
usados, mas deseja ser escritor e esse desejo canhestramente realizado faz dele
um homem desiludido. Padura constrói um personagem complexo, muitas vezes
egoísta e dotado de um senso de ética que não permite desvios.
Nesse périplo em busca de uma estátua perdida, somos
confrontados com uma Havana diferente da turística. Vemos a condição de vida do
povo cubano, as desigualdades marcantes em uma sociedade que se pretendeu
igualitária. A existência de uma elite que, por meios nem sempre claros,
permanece com seus privilégios, uma grande parte da população que beira a
indigência, lutando diariamente por sua sobrevivência e, ainda, um coletivo
humano que vive em condições abjetas. Os migrantes da parte oriental da ilha
que se instalaram na periferia de Havana, constituem o grupo dos excluídos.
Se por um lado, somos confrontados com pobreza e
desigualdade, por outro, conhecemos os encantos da paisagem cubana, sempre
imersa em um clima tropical, bem como sua cultura e riqueza intelectual.
Com um humor magistral, a narrativa transita por século
contando-nos a história da Virgem desaparecida e revelando fatos do passado nos
personagens.
Um livro excepcional!

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