Azar Nafisi
(Teerã, 1 de dezembro de 1948) é uma acadêmica e escritora best-seller iraniana
que vive nos EUA desde 1997 quando emigrou do Irã.
O campo de
atuação é a literatura inglesa. O livro de 2003 "Reading Lolita in Tehran:
A Memoir in Books" foi traduzido para 32 idiomas e permaneceu por 117
semanas na lista de "Mais vendidos" do New York Times e conquistou
inúmeros prêmios de literatura, incluindo o prêmio de não-ficção do "Book
Sense Book of the Year Award" e o prêmio europeu "Persian Golden
Lioness Award" para literatura.
A narrativa
não é linear. A autora transita por diversas épocas de sua vida e da história
recente do Irã. Em uma vertente, descreve sua volta para Teerã, depois de
estudar nos EUA, e sua vida no país pós-revolução islâmica e durante a guerra
contra o Iraque, que durou oito anos. Traça suas angústias, dúvidas, medos e
sua percepção e vivência de todas as restrições impostas pelo regime.
Em outra,
conhecemos suas alunas, as que compõem o grupo que dá título ao livro e que foi
formado após Nafisi deixar a Universidade de Teerã. São moças muito diferentes
entre si e que enfrentam a violência e as restrições impostas pelo governo dos
aiatolás de formas diversas. Na sala de estar, na casa da autora, elas, além de
discutem livros, abrem seu coração e expõem seus medos e anseios.
Ainda, temos
o prazer de acompanhar a discussão de diversas obras literárias clássicas,
entre elas, Lolita e O Grande Gatsby. Ao finalizar a leitura, tenho vontade de
reler diversos deles, pois as análises e as discussões expostas dão-nos outra
dimensão de tais livros. Destaco o julgamento de O Grande Gatsby realizado em
uma das aulas de Nafisi.
Permeando todas
essas histórias, a onipotência dos aiatolás. Os revolucionários estão nas ruas
com milicias que guardam os costumes, nas universidades e em todos os locais. A
violência, as execuções públicas, as prisões, os sequestros e desaparecimentos de
“contrarrevolucionários” passam a fazer parte da vida dos iranianos. Os
intelectuais das mais diversas áreas veem suas obras censuradas ou banidas e
eles mesmos presos, torturas e mortos. Durante a guerra, essa situação foi
agravada pelos bombardeios constantes, os alarmes e o medo de morte iminente.
A violência
contra a mulher é brutal. O uso obrigatório do véu e do xador de cores escuras,
a proibição de qualquer forma de embelezamento ou de diversão, a interdição de
manifestações de afeto, de estar na companhia de homens que não fossem pais ou
irmãos, a violência física permitida e institucionalizada, tudo isso faz com
que elas percam a alegria, a espontaneidade e passem a viver como conchas, aterrorizadas
e encurraladas dentro de seu próprio país.
Este é um
livro que merece destaque em nossa estante.

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