A prosa de
José Luís Peixoto é poesia, ou pode ser que seja poesia proseada.
Este livro é
sobre uma viagem (ou viagens) que fez à Tailândia, por isso muitos podem se
sentir tentados a classificá-lo como livro de viagem, um diário de bordo
talvez. Não penso que seja nem uma coisa nem outra.
Sim, ele nos
conta a respeito da Tailândia. Percorreu o país de norte a sul. Fala do clima,
das pessoas, dos cenários urbanos e rurais, das festas, das comemorações
nacionais, dos lugares turísticos... Tudo isso é retratado em seu texto. Porém,
como o autor deixa claro, ele fala da “sua própria Tailândia”. De um país que
ele vê e sente e que pode não ser, necessariamente, o que outros viajantes veem
e sentem. Ele traduz em palavras as suas emoções durante sua estada nesse país,
entrelaçando-os com memórias de coisas vividas por ele próprio.
Assim, ao
lado das impressões de viajante, há incursões acerca de lembranças de sua vida.
Sua infância, seus pais e irmãs, seus filhos e sua mulher. Tais lembranças
permeiam todo o texto.
Além disso,
dialoga diretamente com seus futuros leitores enquanto, em seu presente,
escreve as palavras que compõem este relato.
Expõe
impressões, declara seu amor pela família, tece um texto repleto de sua
filosofia de vida a qual é compartilhada conosco que o lemos.
É um livro
espetacular que, ao fim, não consegui classificar.

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